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terça-feira, 12 de março de 2013

Picapeta 2.4 16V - Qual é a desse motor? (Parte 1)

Nem me lembro mais com assertividade a data em que decidi aposentar o bom e velho C16NE (GM 1.6 mpfi 8V), mas me lembro que foi por volta de outubro de 2010. Trouxe minha picape para a capital a fim de participar de uma etapa de arrancada no autódromo Nelson Piquet. Literalmente o objetivo era participar, já que a preparação leve de 115 cv não me deixava margem para muito mais do que isso. Participei, diverti bastante e fui embora com a certeza de que precisava de um motor maior, porque a busca por "cavalinhos" a mais no pequeno 1.6 já estava ficando dispendiosa e ainda precisava manter alguma dirigibilidade.


Desconsiderando a eficiência térmica e algumas mecânicas, o ganho de potência se faz basicamente por dois meios: ou se aumenta o torque ou se aumenta a rotação com eficiência volumétrica. O ganho de potência por rotação é amplamente mais utilizado, mesmo porque não é todo mundo que está disposto a trocar um motor. O maior problema que vejo é que ganhar potência por rotação tem um custo alto também, pois, fazer um motor trabalhar com rotações mais elevadas que o original vai exigir certas adaptações nos sistemas para suportar os novos esforços inerciais, a lubrificação deficiente e a necessidade de adequar a eficiência volumétrica para os novos regimes de rotação. Esses três itens se abrem em diversos itens de serviços e peças que acabam por encarecer e muito um projeto. Adivinhe qual seria mais barato de alcançar 150 cv? Comprar um motor original com esses 150 cv e uma quantidade de torque duas vezes maior ou levar um 1.6 original de 92 cv aos mesmo 150 cv, com metade do torque em uma preparação aspirada?

Motor com pintura personalizada - Instalado e Funcionando- Picapeta

Optei por ganhar potência através do ganho em torque. Decidido pela aquisição de um novo propulsor e agora família 2 da Chevrolet, dentre vários motores fiquei mais inclinado entre dois que me surgiram. O 2.4 16 V flex do Vectra Elite, ano 2008, e um 2.0 16 V de um Vectra CD 2007, de novo caímos naquela situação do torque pela rotação. E novamente optei pelo torque e adquiri o pouco conhecido X24XEV do Vectra Elite 2008 sinistrado.

Vamos analisar um pouco melhor esses motores. Listando os motores citados até o momento:


De fato, percebe-se a grande vantagem do 2.4 16 V frente ao 2.0 16V. Um torque 20,92% maior na mesma rotação (4.000 RPM). Comparando ao original 1.6, o ganho é de 82,31%. Em se tratando de potência, o 2.4 apresenta 9 cv a mais com 400 RPM a menos (6,38%) e em relação ao 1.6, 63,04 % a mais de potência.

Quando comparamos duas unidades de medida (Torque e Potência, nesse caso) podemos nos confundir e até mesmo ser levado ao erro pelos fabricantes. Não tenho dúvidas que transformar tudo para potência vai te permitir fazer uma análise mais fácil e mais abrangente. Então vamos transformar o torque em potência e analisar  a mesma oferecida no região de torque máximo. Temos o seguinte gráfico:


Está claro mais uma vez, a grande vantagem do 2.4 16V frente ao 2.0 16V. Alem de ter a curva (que aqui é uma reta devido as aproximações) em um patamar mais elevado, mostrando ter mais potência na região estudada, fica explícito a curva menos inclinada que nos indica que o motor fornecerá energia de maneira mais progressiva. Na rotação de torque máximo de ambos motores (4.000 RPM), temos 130,5 cv para o 2.4 e 108 cv para o 2.0. Um diferença muito grande.

 Vista geral do cofre do motor - Picapeta

Como essa análise é bem simples e trabalha com a eficacidade dos motores, ou seja, os resultados, vamos estender essa análise para outros dois motores que não faziam parte da minha lista, um pelo elevado preço e outro por não existir. Um é o mais famoso família 2 da Chevrolet, o famigerado C20XE disponibilizado nos Vectra GSI e no Calibra e outro é o "moderno" Ecotec 1.8 16 V encontrado nos modelos Cruze.

Segue a lista com as características dos motores:









E na sequência o gráfico que utiliza a potência na região de máximo torque:


Pode-se concluir que a disputa ficou em duplas. X24XEV versus C20XE e X20XEV versus Ecotec 1.8 16V.

Analisando somente por esses dados mostrados, podemos concluir que:
  •  Na disputa entre o 2.4 16 V e o C20XE, o 2.4 16V oferece a mesma potência com 800 RPM a menos e na região de torque máximo oferece 4 cv a mais com 600 RPM a menos. As duas retas apresentam a mesma inclinação e praticamente o mesmo comprimento, que mostra a faixa de utilização de maiores potências. Por este ponto, o 2.4 16 v se mostra superior não só ao C20XE como aos demais.
  • Entre os motores X20XEV e o Ecotec 1.8 16V, a disputa é mais acirrada. Se fosse em UFC, a decisão não seria unânime. Cada um aqui poderia optar por um ou outro, pois existem vantagens para ambos os lados. O motor 2.0 apresenta 108 cv na região de torque máximo (4.000 RPM), o 1.8 16 V apresenta 99 cv, porém, com 200 RPM a menos, em uma aproximação para 4.000 RPM, a diferença diminuiria para próximo de 4 cv. Com relação a potência máxima, o 1.8 16 V apresenta 3 cv a mais, porém com 600 RPM a mais. A inclinação da reta do 2.0 é mais inclinada e a faixa entre potência máxima e torque máximo é maior no Ecotec, duas vantagens a mais para este. Na minha opinião, o Ecotec 1.8 16 V tem mais vantagens e leva essa disputa.
Entre os motores analisados, a classificação por este tipo de análise ficaria assim:
  1. X24XEV 
  2. C20XE
  3. Ecotec 1.8 16V
  4. X20XEV
 Admissão da picape original para captação de ar menos quente - Picapeta

Ainda pode ser que surja a pergunta: Por quê não comparar com o Ecotec 2.4 16 V das Captivas acima de 2011? A resposta é: eu comparei e a vantagem é muito grande em cima de qualquer motor mostrado aqui.O nível de tecnologia empregado neste Ecotec não permite fazer uma comparação fidedigna. E essa não seria uma opção para adaptar na minha picape, pois, a utilização de sistema de injeção direta não permitiria adaptações. Precisaria "jogar uma Captiva inteira" dentro de uma picape.

A idéia desse post não é somente falar do motor da Picapeta e dos outros motores comparados, mas também apresentar um meio diferente de se fazer análise dos motores para que possa ajudar nas futuras escolhas de automóveis ou motores.

Para que este tópico não se estenda muito, vou fazer um "Parte 2" onde falarei sobre o que muitos devem estar imaginando, relação R/L e suas consequências em forma de Velocidades e Acelerações do Pistão. Já que a relação R/L desse motor é alta frente aos demais motores, 0,337. Isso seria uma desvantagem? Talvez não.

Observação para os curiosos:  A equação que relaciona potência (cavalos-vapor, "cv"), torque (quilograma força metro, "kgf.m") e rotação (RPM) é a seguinte:

P = T * RPM / 726,4

Grato pela participação.

21 comentários:

  1. Orra legal meu amigo, ótimo post. Eu também estava nesses calculos parecidos alguns meses atras, para o meu corsa B 98, que também ranquei a mec 1.0 e queria algo turbo bem mais forte.... também fui ver esse 2.4 16v e fiquei instigado..., mas por questão de $$ e um outros detalhes, no meu caso optei pelo 1.8 8v (familia 1 - flex) e estamos finalizando a montagem essa semana pra ver no que dá rsr. Achei interessante seu post, pois fiquei com esse negócio do 2.4 na cabeça e queria descobrir alguém que fez... agora vi seu blog aqui.

    minha decisão pelo 1.8, foi um pouco também pela adaptação dos coxins, tamanho do cambio e homocineticas (Elas não deixam a roda saindo pra fora do carro? pelo que vi no seu video não. O que vc fez?) E os coxins? pois o bloco é maior... abç, fico feliz pelo projeto e desejo sucesso à nos dois pelos dois projetos rsr
    valeu

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    1. Diego, primeiramente parabéns pelo swap e obrigado por participar do blog!

      Com relação a adaptação dos blocos familia 2, pode ser feito como eu fiz, usei o mesmo câmbio original da picape, F15, ou qualquer outro câmbio do familia 1, assim não tem que fazer adaptações de semieixos, pois o câmbio fica no mesmo lugar, com os mesmos suportes e mesmas posições. Só é preciso mudar o suporte do motor, que no meu caso, eu fiz em casa mesmo. Fiz um suporte que casasse as posições dos furos do bloco com os do coxim no monobloco. Ou seja, tudo ficou no seu lugar, só elaborei um novo suporte. Com o motor no lugar, o resto são pequenas adaptações, que caso tenha interesse posso detalhar.

      Grande abraço e tenho certeza que será feliz como eu com seu 1.8!

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    2. olá amigo e com vc fez na parte de injeção e na instrumentação do painel....??? Gostaria que vc detalha-se seu projeto pois estou fazendo um parecido no meu corsinha...

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    3. Olá, Ricardo.

      Com relação a instrumentação do painel, a única mudança que tive que fazer foi colocar um relógio de temperatura dágua de resfriamento, como desmontei ela há dois anos, não prestei atenção em como utilizar o original, dps tentei procurar o sinal que chegava no painel, procurei muito e não achei, dai coloquei logo um relógio separado. Quanta a lâmpada de injeção, só por tirar o módulo ela já fica desligada. O resto permance original.

      Com relação a parte de injeção vc teria que ser mais específico, pq tentei aproveitar ao máximo os relés e caixa de fusíveis originais. E fora isso tem toda a ligação da própria injeção. Então, seria melhor especificar quais seriam as dúvidas que explico tranquilamente.

      Abs.

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  2. Ola! Gostaria de uma opinião sua, pelo fato de você ja ter adaptado um motor com isto ter experiencia no assunto , tenho um corsa wind 1994 único dono, comprei ele zero, so que estou querendo colocar um motor 2.0, comprei um kadett mpfi 1998, pois segundos alguns colegas esse motor é um ótimo motor,voçê poderia me auxiliar em algumas dicas, desmontei o motor do kadett, ja estar no jeito de desmontar o do corsa, mas estar faltando a coragem..rsrsrs, poderei te mandar algumas fotos para você analisar pode ser?Grato e aguardo sua resposta.

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  3. Boa noite! E a parte 2 falando sobre a relação r/l? Tenho muito interesse nesta matéria

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    1. Preciso elaborar ainda. Estava em fase de mudança de cidade. Agora já estou tendo mais tempo livre e facilidade de acesso.

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  4. ola amigo, eu tenho um vectra cd 95. gostaria de saber sobre adaptar um motor 2.4 16v do vectra elite no meu vectra A. oq eu precisaria para montar este 2.4 no meu vectra A? gostaria de saber tudo sobre esta adaptacao pois tenho muito interesse em fazer este projeto. o que precisaria trocar do meu vectra pelo do elite, em questao de peças, motor de arranque e etc..obrigado..

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  5. Cara gostei muito dese post gostaria muito de conversa com vc estou com um projeto para meu carro e queria fala com alquem que intente do asundo vou deixar meu whatss 04599076799 gostei muito dessa aula que vc deu parabens

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  6. manteve a cx de marchar original do 1,6 ou teve q mudar?

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  7. Quando sai a pare 2 Weverton? Muio me interessa...

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    1. Sem tempo nenhum para voltar a escrever matérias!

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  8. Em primeiro lugar amigo parabéns, quanto à minha dúvida vamos lá: levando em conta toda sua experiência que teve com esse carro o câmbio original foi o mais acertivo. Ou se fosse hj para optar por um câmbio qual seria.....novamente obrigado amigo.... Penso em um prejoto similar...

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    1. Depende do nível de preparação do motor e seu uso, enquanto motor original e mesmo com uso agressivo em Arrancada, nunca quebrou. Ainda estou na fase de testes com ele, agora o motor volta com uns 300 cv e uns 33 kgf.m de torque e mantive o câmbio para testar. Acredito que agora deva quebrar. Se eu fosse montar um motor original, repetiria sem dúvida.

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  9. Cara li em outro site que este motor 2.4 da gm, possue uma elevada relação R/L, acima de 0,3, gostaria de saber na sua opinião se isto é realmente problemático em um motor aonde o pico de rotação vai chegar a uns 9mil rpm, pois estou na duvida entre o c20xe e o 2,4 16v para por no meu chevette.

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    1. Essa questão de R/L importa somente para saber o quanto você deverá reforçar o motor e usar folgas adequadas. A primeira coisa que se deve perguntar é realmente precisa de 9.000 RPM, se sim, vá de 2.0, se não pode ir aumentando o curso, tanto 2.2 ou 2.4. No 2.4 16v, não adianta vc girar 9.000 RPM, pois esse curso elevado aumenta as perdas por atrito e não permite que o pico de potência vá muito mais longe que 7.500 RPM, então girar 9.000 RPM sem força suficiente pode não ser interessante. Estou montando esse 2.4 aspirado, no estilo "tudo que dá", estou esperando girar um pouco mais de 8.000 RPM por questões de velocidade, mas já sei que o pico de potência vai acabar antes. Enfim, precisaria escrever a matéria para detalhar todo o assunto.

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  10. Cara, temos um clube de corsas aqui em São Luis-MA e queremos teu contato pra conversarmos sobre trazer a Picapeta aqui e correr no Ilha Race ( pista de corrida)

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    1. Olá, me procure no canal do facebook, poderemos falar a respeito. Grato.

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  11. Respostas
    1. O cabeçote X24SE (preciso corrigir, não é X24XEV) é o mesmo dos motores 2.0 e 2.2 16 V (exceção do C20XE) e eles são da família II da GM, portanto não serve nos motores família 1, 1.0 a 1.8 (com exceção do Monza/Kadett 1.8).

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